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“Requisição civil decretada simboliza a falência da capacidade negocial de um governo em desespero”
Ângela Guerra apelou ao governo para que “emende a mão” e deixe de tentar “virar portugueses contra portugueses”.
Numa “singular coincidência”, como registou Ângela Guerra, o Parlamento debateu, esta sexta-feira, uma Petição que defende o reconhecimento e valorização dos enfermeiros da Administração Pública como profissionais a exercer funções em condições particularmente penosas.
Sublinhando que se trata de uma “pretensão justa e que merece ponderação séria”, a deputada adiantou que ninguém de boa-fé e minimamente informado duvida que a atividade profissional de enfermagem é prestada, de uma forma geral, em condições de grande penosidade, não raro, com manifesta sobrecarga física e psíquica, bem como, em situações de risco e também insalubridade. “Todas estas circunstâncias concorrem, naturalmente, para um forte desgaste profissional dos enfermeiros, a sua larga maioria obrigada a trabalhar em situações de stress e um crescente número deles sujeito a inegável burnout, ou seja, conduzidos a um estado absoluto de exaustão emocional, física e perda de realização pessoal. O excesso de trabalho, ou a evidente degradação das condições de funcionamento dos serviços públicos de saúde, em particular nos hospitais do SNS, contribuem para a inegável desmotivação dos enfermeiros.”
Contudo, acrescenta Ângela Guerra, não menos agravante é ação de “um governo que sistematicamente empurra os problemas com a barriga, só cedendo sob pressão. Um governo que atrasa as progressões na carreira e adia o pagamento de suplementos remuneratórios devidos àqueles profissionais de saúde. Um governo que não contrata os profissionais necessários para assegurar mínimos de qualidade e segurança nos serviços de saúde.”
Depois de recordar que o anterior Ministro da Saúde reconheceu que “as razões dos enfermeiros são profundamente atendíveis” e que a deputada Catarina Martins afirmou que “boa parte das reivindicações dos enfermeiros são justíssimas”, a social-democrata referiu que estas pretensões “não podem ser atendidas porque a demagogia de 3 anos de geringonça está, finalmente, a sofrer o duro choque da realidade. É por isso, que a requisição civil ontem decretada simboliza a falência da capacidade negocial de um Governo em desespero, vítima da mentira com que procurou, ao longo destes 3 anos, enganar os portugueses, fazendo-os crer que tinha virado a página da austeridade. A aviltante degradação dos serviços públicos, o investimento inexistente nos hospitais, a falta de material clínico, o brutal aumento dos tempos de espera para consultas e cirurgias, são bem a marca de uma governação falhada do Partido Socialista, com o apoio cúmplice do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.”
Pela parte do PSD, conclui Ângela Guerra, “nestes dias negros para o SNS, apelamos a que o Governo emende a mão e se deixe de adjetivações «selvagens», apostado em virar portugueses contra portugueses. Que não seja o Chefe do Governo a instigar, com declarações manifestamente infelizes, um grave problema de sobreposição de direitos e que necessita muito mais de bom senso e capacidade para negociar e menos de estilos linguísticos inflamados.”

08-02-2019 Partilhar Recomendar
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